A constelação do Índio

Índio (Indus)
Índio · Estrela mais brilhante: α IndiVer a constelação no registo de estrelas

Ficha

Nome latino
Indus (Ind)
Estrela mais brilhante
α Indi (α Ind)
Brilho relativo
3,11 mag
Catálogo Hipparcos
HIP 101772
Área
294 deg² (posição: 49 de 88)
Ascensão reta
20h 28m 41s a 23h 27m 59s
Declinação
-74° 27' 16'' a -44° 57' 32''
Constelações vizinhas
Microscópio, Sagitário, Telescópio, Pavão, Oitante, Tucano, Grou

Visibilidade

Céu borealBerlin
Céu australSydney
visívelparcialmente visívelnão visívelàs 22 horas, hora local, em pelo menos um dia do mês

A constelação do Índio

O Índio é uma constelação do hemisfério sul. É parcialmente circumpolar em relação ao polo sul. Isto significa que algumas das suas estrelas se encontram tão perto do polo celeste que, vistas a partir de Sydney, nunca se põem. Assim, uma parte da constelação encontra-se ali acima do horizonte durante todo o ano. A sua estrela mais brilhante é α Indi, que representa o corpo do Índio. A estrela ε Indi, a pouco menos de 12 anos-luz, é uma das vizinhas mais próximas do Sol. Em torno dela orbitam duas anãs castanhas e um gigante gasoso, que o Telescópio Espacial James Webb fotografou diretamente em 2024.

A constelação do Índio situa-se a sudoeste da constelação do Grou e estende-se até à constelação do Oitante, que se encontra no polo sul celeste. A constelação do Oitante é a contrapartida austral da constelação da Ursa Menor no hemisfério norte. Nesta constelação encontra-se a Estrela Polar do Sul, σ Octantis. Devido à sua proximidade do polo sul, é a única estrela do sul que permanece sempre no mesmo ponto do céu.

História

Enquanto as constelações do hemisfério norte já eram conhecidas desde a Antiguidade e remontam às mais diversas mitologias, muitas constelações do hemisfério sul ficaram durante muito tempo sem nome. Só no século XVI se começou a dar-lhes atenção. Entre 1595 e 1597, os navegadores neerlandeses Pieter Dirkszoon Keyser (piloto-chefe) e Frederick de Houtman (irmão do capitão) cartografaram o firmamento austral numa expedição, por encargo de Petrus Plancius. Influenciados pelas experiências da sua viagem às Índias Orientais, deram nome a uma dúzia de constelações: Camaleão, Mosca, Peixe Voador, Índio, Grou, Ave do Paraíso, Pavão, Fénix, Dourado, Hidra Macho, Triângulo Austral e Tucano.

Os dois navegadores neerlandeses deslocavam-se sobretudo no oceano Índico e provavelmente nunca puseram os pés na América. Não é, por isso, de admirar que esta constelação seja muitas vezes designada também por Indiano. Nas cartas celestes antigas, é representado como um nativo com flechas ou lanças nas mãos. Não se sabe ao certo se se pretendia representar um nativo americano ou um habitante das Índias Orientais. O modelo para esta constelação foram provavelmente os índios que o navegador português Fernão de Magalhães encontrou no início do século XVI na Patagónia e na Terra do Fogo.