A constelação do Cocheiro

Cocheiro (Auriga)
Cocheiro · Estrela mais brilhante: CapellaVer a constelação no registo de estrelas

Ficha

Nome latino
Auriga (Aur)
Estrela mais brilhante
Capella (α Aur)
Brilho relativo
0,08 mag
Catálogo Hipparcos
HIP 24608
Área
657 deg² (posição: 21 de 88)
Ascensão reta
4h 37m 54s a 7h 30m 56s
Declinação
+27° 53' 29'' a +56° 09' 53''
Constelações vizinhas
Girafa, Perseu, Touro, Gémeos, Lince

Visibilidade

Céu borealBerlin
Céu australSydney
visívelparcialmente visívelnão visívelàs 22 horas, hora local, em pelo menos um dia do mês

A constelação do Cocheiro

A constelação do Cocheiro é uma constelação do hemisfério norte. É parcialmente circumpolar em relação ao polo norte. Isto significa que algumas das suas estrelas se encontram tão perto do polo celeste que, vistas a partir de Berlim, nunca se põem. A sua estrela mais brilhante, α Aurigae ou Capela (em latim, «pequena cabra»), é a sexta estrela mais brilhante do firmamento. O Cocheiro tem aproximadamente a forma de um papagaio de papel. No seu canto mais a sul fica Elnath (β Tau), que em cartas celestes mais antigas pertencia ao Cocheiro, mas que, após um ajuste dos limites das constelações pela União Astronómica Internacional (UAI), passou a pertencer ao Touro. Enigmática é ε Aurigae: de 27 em 27 anos, escurece nitidamente durante quase dois anos, a última vez entre 2009 e 2011. Fica então oculta por um enorme disco de poeira, no qual se esconde uma estrela companheira.

Mitologia

Em torno do Cocheiro tecem-se várias mitologias. Segundo a mais conhecida, trata-se de Erictónio, um rei de Atenas. Cresceu junto da deusa Atena, que lhe ensinou, entre outras coisas, a domar cavalos. Foi o primeiro mortal a imitar o deus do Sol, Hélio, atrelando quatro cavalos ao seu carro. Isso valeu-lhe a admiração de Zeus e um lugar no firmamento.

Outra lenda fala do rei Enómao, um amante de cavalos que não suportava a ideia de que a sua filha mais velha, Hipodâmia, se casasse. Por isso, desafiava cada um dos seus pretendentes para uma corrida de carros de vida ou de morte. O seu cocheiro Mírtilo, filho do deus Hermes, deixou-se, no entanto, subornar pelo pretendente Pélops e sabotou as rodas do carro do rei. O rei já tinha matado todos os outros pretendentes em corridas anteriores. Nos últimos metros, as rodas soltaram-se e ele foi arrastado até à morte. Pélops queria Hipodâmia só para si e sabia que Mírtilo estava secretamente apaixonado por ela. Por isso, atirou-o ao mar, onde se afogou. Hermes colocou depois o filho na abóbada celeste como Cocheiro.

Segundo uma terceira lenda, Cronos, o pai de Zeus, foi avisado pela deusa da Terra, Gaia, de que um dos seus descendentes o destronaria. Por isso, devorava todos os filhos logo após o nascimento. A sua mulher Reia conseguiu, porém, esconder-lhe um deles: Zeus, que foi criado em Creta pela ninfa Amalteia, que, sob a forma de uma cabra, o alimentou com o seu leite. A cabra nos braços do Cocheiro foi outrora considerada uma constelação independente. Em agradecimento pelo seu leite, Zeus colocou mais tarde a cabra no céu; a sua estrela é Capela. Nenhuma lenda conta porque é precisamente o Cocheiro que a carrega.